O Centro é vivo: galerias de arte ocupam São Paulo

galerias de arte ocupam São Paulo

São Paulo completa em 25 de Janeiro 462 anos. Maior metrópole do hemisfério sul, a cidade é constantemente comparada com uma selva de pedra. No meio do aparente caos urbano algumas regiões acabam recebendo menos atenção do que outras. A região central pode ser um exemplo disso, mas um grupo de artistas e galerias de arte ocupam São Paulo para tentar lembrar que a realidade é um pouco mais profunda.

[pullquote align=”left” cite=”Felipe Morozine, Artista Visual” link=”” color=”” class=”” size=””]Hoje o que se vê em São Paulo, e em qualquer lugar do mundo, é a arte ocupando o centro das cidades e ocupando principalmente as ruas.[/pullquote]

Em comemoração à data, a Red Bull lança o documentário ARTE | TERRITÓRIO. Com 12 minutos de duração, o vídeo retrata como a região central da capital paulista é (e sempre foi) ocupada por artistas visuais e espaços culturais. Nele, acompanhamos diversos artistas visuais e espaços culturais que ocupam a região central de São Paulo – onde o caos inspira trabalhos que refletem diretamente o espírito da capital.

Depois que a classe média começou a se mudar para outras regiões, a partir dos anos de 1970, surgiu a ideia de que o centro era um lugar perigoso, indesejado. Atualmente artistas e arquitetos apostam que a vida de qualidade é a vida urbana, onde existe grande oferta cultural e de transporte público. Um exemplo distante é a região de Soho em Nova Iorque, que de um bairro com estruturas fabris passou a abrigar as maiores galerias de arte. O modelo de Soho, porém, não é o objetivo a ser alcançado pelo centro de São Paulo, que busca continuar reunindo todas as classes sociais, com um circuito menos comercial e gentrificador.

[pullquote align=”right” cite=”Guilherme Wisnik, Arquiteto” link=”” color=”” class=”” size=””]Fala-se muito em revitalização, alguma espécie de jargão, e isso é absolutamente falso em relação ao centro, o centro é cheio de vida.[/pullquote]

Por isso as falas contidas no documentário são tão pontuais e importantes. Como falado pelo Arquiteto e Professor Guilherme Wisnik, o centro de São Paulo não precisa de revitalização, pois em momento algum deixou de ser vivo. O conjunto de artistas, fotógrafos, arquitetos, expositores e todos os que participam dessa Cidade Criativa (conceito que já abordamos na entrevista com a Dr. Ana Carla Fonseca Reis) mostrada no vídeo é apenas mais um exemplo de como lugares aparentemente improváveis podem ser, e muitas vezes são, extremamente ricos em cultura, conhecimento e inovação. O tema é amplo e existe muito material que não conseguiu entrar nos 12 minutos de duração do documentário, quem sabe em um projeto futuro.

Veja o vídeo produzido pela Red Bull na íntegra:

Os artistas Felipe Morozini (que vive num prédio no Minhocão), Luciano CortaRuas (Estúdio Lâmina), as diretoras artísticas Maria Montero (Phosphorus e Galeria Sé)  e Fernanda Brenner (Pivô) e o curador Fernando Velázquez (Red Bull Station) falam sobre os desafios e inspirações de trabalhar nesta região onde galerias de arte ocupam São Paulo.

Além deles, participam o arquiteto e crítico de arte Guilherme Wisnik e a arquiteta e urbanista Paula Santoro. Além de traçar um panorama da arte contemporânea, o filme remonta a história da capital paulista como berço do modernismo no Brasil.

No dia 25 de janeiro, dia do aniversário da capital, a página www.redbull.com.br/sp462anos lança ainda a série Música Imigrante, com três episódios nos quais apresenta seis músicos estrangeiros que se conhecem para criar uma música para a cidade.

Galerias e Artistas

Estúdio Lâmina

O Estúdio Lâmina é um espaço cultural que é de tudo um pouco: galeria, estúdio e casa. Lá eles acolhem diversas residencias artisticas que vão desde música, fotografia e cinema até dança, moda e circo.

Av. São João, 108, Centro

Felipe Morozini

Além de artista, Morozini é ainda diretor da Associação Parque do Minhocão, organização social que defende que o Elevado Presidente Costa e Silva se transforme numa área de lazer para a população da cidade. Morozini mora no Minhocão e seu trabalho tem forte relação com o centro paulistano. Entre seus trabalhos mais conhecidos está a performance “Jardim Suspenso da Babilônia”, na qual, junto de 21 amigos, ele pintou flores de cal em toda a extensão do Elevado Costa e Silva em 2009.

Felipe Morizini galerias de arte ocupam São Paulo

“Você passa por 300 pessoas diferentes de você, num ambiente diferente, que pra mim só pode ser terreno fértil para mais arte” Imagem Felipe Moronizi no documentário ARTE | TERRITÓRIO

Pivô

O Pivô, localizado no Edifício Copan, no centro de São Paulo, foi fundado em 2012 e desde então recebe diversas exposições, worshops, palestras e experimentações artísticas sobre arte, arquitetura, urbanismo e muito mais. Vale a visita!

Av. Ipiranga, 200, bloco A, Loja 54, República

Pivô galerias de arte ocupam São Paulo

Imagem Pivô | Salvador Cordaro

Tag Gallery

Curte arte urbana? Então você não pode deixar de visitar a Tag Gallery. O espaço, localizado em um prédio antigo no centro de São Paulo, é dedicado ao desenvolvimento da street art em São Paulo e sua conexão com artistas do mundo inteiro.

R. Líbero Badaró, 336, 3º andar, Centro

Red Bull Station

O espaço cultural e criativo fica ilhado em uma bifurcação ao lado da Praça da Bandeira e tem uma vista absurda do terraço. A entrada é gratuita e o local ainda conta com programas permanentes de residências e ocupações, além de uma cafeteria e um dos melhores estúdios de música da América Latina.

Pça. da Bandeira, 137, Centro

Phosphorus

O Phosphorus, idealizado por Maria Monteiro, é um espaço independente de arte experimental, com foco em residência artística e crítica dos processos. Ele fica em nada menos que na primeira rua de São Paulo, ao lado do Pateo do Colégio, o Marco Zero da cidade.

R. Roberto Simonsen, 108, Sé

phosphorus galerias de arte ocupam São Paulo

Imagem: Phosporus

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Tárcio Leopoldo
Estudante de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal Fluminense. Não ingressou no curso por jogar muito The Sims, mas sim Age of Empires e outros jogos de estratégia. Acredita que se as cidades são espaços de encontro, a internet é uma grande megalópole.